quarta-feira, 11 de novembro de 2009

OMS quer uma sociedade mais atenta às mulheres

No lançamento de um relatório intitulado "As mulheres e a Saúde: a realidade de hoje e o programa de amanhã", a Organização Mundial de Saúde (OMS) apelou para uma acção urgente a fim de melhorar a saúde e a vida das mulheres, desde a nascença até à velhice.

A OMS considera que são as mulheres quem mais cuida dos outros, sem que tal seja retribuído e que, apesar dos progressos das últimas décadas, as sociedades continuam a abandoná-las em momentos decisivos das suas vidas.
"Se as mulheres são privadas do direito de realizar plenamente o seu potencial como seres humanos, e em particular a possibilidade de terem uma vida com mais saúde e mais feliz, podemos mesmo falar, globalmente, de uma sociedade sã? Quem estimula então o progresso social no século XXI?", questionou Margaret Chan, directora-geral da OMS.

Quase 80 por cento de todos os cuidados de saúde e até 90 por cento dos cuidados em doenças como a Sida são prestados por mulheres. No entanto, na maior parte das vezes elas não são ajudadas, reconhecidas ou remuneradas por este papel essencial, refere o relatório da OMS. Além disso, a resposta às necessidades específicas das mulheres como a saúde mental, a violência sexual ou a despistagem de cancro do colo do útero, é por vezes ignorada.
Segundo a OMS, em muitos países os cuidados de saúde sexual e ginecológicos tendem a concentrar-se apenas nas mulheres casadas. As necessidades das celibatárias, das adolescentes e de grupos marginalizados como as prostitutas, as minorias étnicas e as mulheres do mundo rural , são maioritariamente ignoradas.
Deste modo, a OMS desafia a sociedade a antecipar mudanças na organização do trabalho, da família e do apoio social.

Prémios Nobel da Paz distinguem cantora Annie Lennox

A cantora britânica Annie Lennox foi designada "Mulher da Paz 2009" pela acção a favor da luta contra a Sida na África do Sul, na 1O.ª cimeira de laureados com o Nobel da Paz que hoje terminou em Berlim.

A cantora escocesa, que nos anos 80 fez parte do duo Eurythmics, fundou na primavera de 2007 a inicitiva SING, convidando 23 cantoras a gravar um disco cujas receitas foram aplicadas na compra de medicamentos, na educação e na protecção de mulheres e crianças sul-africanas contra a Sida.
Annie Lennox vestia uma t-shirt preta com a inscrição "HIV Positive" quando recebeu o prémio, uma estatueta de bronze, das mãos do antigo presidente sul-africano Frederik de Klierk, Nobel da Paz de 1993.
A cantora dedicou o prémio a "todas as mulheres que trabalham no Mundo para tentar limitar os efeitos desta pandemia".
Recebeu igualmente um pedaço do Muro de Berlim, oferecido pelo presente da Câmara local, no momento em que se comemoram os 20 anos do derrube da separação das duas partes da cidade.
Na cimeira participaram 15 individualidades laureadas como o Nobel da Paz, como Lech Walesa, Mikhail Gorbatchev ou Muhammad Yunus.

Na declaração final, os participantes apelam à destruição dos muros que permitem a existência de armas atómicas, que separaram ricos e pobres, que impedem uma luta eficaz contra o aquecimento glocal, que dividem gerações e que criam discriminações fundadas em religiões, etnias ou culturas.

Annie Lennox
Annie Lennox nasceu em 25 de dezembro de 1954, em Aberdeen, na Escócia. Filha única, Annie foi extremamente cuidada pelos pais e desde cedo mostrou pendão para as artes e ainda menina aprendeu a tocar piano, flauta, além de cantar em corais e estudar dança. A jovem Annie era apaixonada pela música negra, especialmente os artistas da Motown, como Marvin Gaye, Stevie Wonder e The Supremes.


Aos dezassete anos, resolveu  mudar-se para Londres e foi estudar na Royal Academy of Music. Durante três anos estudou música erudita e sobrevivia fazendo pequenos serviços, como o empregada de pastelaria. Annie confessa que foi muito infeliz nos estudos, abandonando a escola semanas antes dos exames finais, para desconsolo dos pais, que sonhavam em ver a filha famosa.
Um de seus empregos nessa época foi trabalhar em uma loja de discos, onde conheceu Steve Tomlin, com quem teria uma amizade longa. Foi aí que Annie resolveu seguir a carreira musical, tendo a cantora canadense Joni Mitchell como grande inspiração. Assim,  juntou-se ao grupo Dragon's Playground e Red Brass.
Ao lado da amiga Joy Dey, tentou montar uma dupla vocal com o nome Stocking Tops, o que não correu muito bem. Corria o ano de 1976, quando Annie resolveu arranjar um emprego para poder sobreviver, no Pippins Restaurant, em Hampstead. Foi lá que iria conhecer Dave Stewart, seu futuro parceiro no Eurhytmics.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

4 textos de Herta Muller

A cova


Há roseiras em volta do monumento aos combatentes. Transformaram-se em matagal. Tão emaranhadas que asfixiam as ervas. Dão rosas brancas, pequenas e amarrotadas como papel. Rumorejam. Começa a amanhecer. Em breve será dia.

Todas as manhãs, no seu caminho solitário em direcção à azenha, Windisch regista o dia que começa. Em frente ao monumento aos combatentes, conta os anos. Mais adiante, junto ao primeiro choupo onde a bicicleta passa sempre pela mesma cova, conta os dias. E à noite, quando fecha a porta da azenha, Windisch conta de novo os anos e os dias.

Lá de longe vê as pequenas rosas brancas, o monumento aos combatentes e o choupo. E, se há nevoeiro, ao passar de bicicleta o branco das rosas e o branco da pedra estão ali mesmo à sua frente. Windisch atravessa o nevoeiro. Windisch tem o rosto húmido e segue até chegar à azenha. Por duas vezes as roseiras mostraram os espinhos nus e as ervas rasteiras tiveram a cor da ferrugem. Por duas vezes o choupo esteve tão despido que as hastes ameaçavam quebrar-se. Por duas vezes a neve cobriu os caminhos.

Windisch conta dois anos junto ao monumento aos combatentes e duzentos e vinte e um dias ao transpôr a cova ao pé do choupo.

Todos os dias, ao passar a cova, Windisch pensa: “O fim está próximo.” Desde que pensou em emigrar, Windisch vê o fim por toda a parte na aldeia. E o tempo que parou para todos os que querem ficar. E que o guarda-nocturno para ali vai ficar, para além do fim, segundo lhe parece.

E depois de ter contado duzentos e vinte e um dias e ter sido sacudido ao passar a cova, Windisch desmonta pela primeira vez. Encosta a bicicleta ao choupo. Os seus passos fazem barulho. No jardim da igreja esvoaçam pombos bravos. São cinzentos como a luz. Só o ruído os torna diferentes.

Windisch faz o sinal da cruz. O batente da porta está molhado. Fica-lhe colado à mão. A porta da igreja está trancada. E Santo António está do outro lado da parede. Segura nas mãos um lírio branco e um livro castanho. Está encerrado.

Windisch sente frio. Olha ao longo da rua. Onde a rua acaba, irrompem as ervas na aldeia. Lá ao fundo segue um homem. O homem é um risco negro que segue por entre as plantas. As ervas pujantes fazem-no pairar sobre a Terra.

A navalha

Windisch está sentado na cozinha em frente à janela. Está a fazer a barba. Vai pincelando a espuma branca pela cara. A espuma range-lhe nas faces. Windisch espalha a neve com os dedos em volta da boca. Olha para o espelho. Vê reflectida a porta da cozinha. E o seu rosto.

Windisch vê que pôs demasiada neve na cara. Vê que tem a boca envolta em neve. Sente que a neve na narina e no queixo não o deixa falar.

Windisch abre a navalha. Experimenta o gume da navalha na pele dum dedo. Põe a lâmina em posição abaixo do olho. A maçã do rosto não se move. Windisch alisa as rugas abaixo do olho com a outra mão. Olha pela janela. Lá fora está a erva verde.

A navalha estremece. A lâmina arde.

Windisch tem há muitas semanas uma ferida debaixo do olho. Está vermelha. Tem uma orla de pus. Todas as noites está cheia de farinha.

Há alguns dias que cresce uma crosta por baixo do olho de Windisch.

De manhã, Windisch sai de casa com a crosta. Quando abre a porta da azenha e mete o cadeado na algibeira do casaco, Windisch leva a mão à face. A crosta desapareceu.

“Talvez a crosta tenha ficado na cova”, pensa Windisch.

Quando começa a clarear lá fora, Windisch vai até junto do açude da azenha. Põe-se de joelhos na erva. Olha o rosto reflectido na água. Pequenos círculos batem-lhe na orelha. O cabelo faz tremer a imagem.

Por baixo do olho, Windisch tem uma cicatriz branca e curva.

Uma folha de cana está dobrada. Abre-se e fecha-se junto da sua mão. A folha de cana tem uma lâmina castanha.


Os galos
Os sinos do relógio da igreja batem as cinco horas. Windisch sente nódulos frios nas pernas. Vai ao pátio. Por cima da sebe passa o chapéu do guarda-nocturno.

Windisch vai ao portão. O guarda-nocturno apoia-se ao poste do telégrafo. Fala sozinho. “Mas onde está ela, onde é que ela está, a mais bela de todas as rosas”, diz ele. O cão está sentado no pavimento. Come uma minhoca.

Windisch diz: “Konrad.” O guarda-nocturno olha para ele. “A coruja está pousada nos pastos atrás da meda de palha”, diz ele. “A Kroner já morreu.” Boceja. O hálito cheira a aguardente.

Os galos cantam na aldeia. Têm vozes agrestes. Trazem a noite no bico.

O guarda-nocturno segura-se à sebe. Tem as mãos sujas. E os dedos são tortos.



A marca do beijo


Amalie está parada à entrada do quarto. Os estilhaços têm manchas vermelhas. O sangue de Windisch é mais vermelho do que o vestido de Amalie.

Um último sopro de ‘primavera irlandesa’ paira nas barrigas das pernas de Amalie. O chupão no pescoço de Amalie é mais vermelho do que o vestido. Amalie descalça as sandálias brancas. “Venham comer”, diz a mulher de Windisch.

A sopa fumega. Amalie está sentada no nevoeiro. Segura a colher com as pontas dos dedos vermelhas. Olha para a sopa. O vapor move os lábios. Ela sopra. A mulher de Windisch senta-se com um suspiro no meio da nuvem cinzenta diante do talher.

Pela janela ouve-se o rumorejar das folhas das árvores. “Lá voam elas para o pátio”, pensa Windisch. “Folhas que davam para dez árvores voam pelo pátio.”

Windisch passa distraidamente os olhos pela concha do ouvido de Amalie. Ela faz parte do seu campo de visão. É avermelhada e dobrada como uma pálpebra.

Windisch engole uma massa branca e mole. Fica-lhe presa na garganta. Windisch poisa a colher em cima da mesa e tosse. Os olhos enchem-se de água.

Windisch vomita a sopa na sopa. Tem a boca azeda. Ela avança-lhe pela testa. A sopa dentro do prato fica turva com a sopa vomitada.

Na sopa que tem no prato Windisch vê um pátio longínquo. No pátio, uma noite de verão.



[in O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra, tradução de Maria Antonieta C. Mendonça, Cotovia, 1993]

Herta Muller


Herta Müller (nascida em 17 de agosto de 1953) é  romena, radicou-se na Alemanha e como romancista a, poeta e ensaísta é conhecida por obras sobre as duras condições de vida na Roménia comunista sob o repressivo regime de Nicolae Ceausescu, a história dos alemães no Banat (e mais amplamente, Transilvânia), e a perseguição dos romenos de etnia alemã por forças estalinista  de ocupação soviéticas na Roménia e o modo como a União Soviética impôs o regime comunista da Romênia. É conhecida desde 1990. A sua obra está traduzida em 20 línguas.Recebeu mais de 20 prémios, incluindo em 1994 o Prémio Kleist, em 1995 Aristeion Prize, em 1998 o International IMPAC Dublin Literary Award 2009 e Franz Werfel Prêmio de Direitos Humanos.  Em 8 de Outubro de 2009, foi anunciado que seria premiada com o  Prémio Nobel de Literatura.


Obras publicadas:
Niederungen, histórias curtas, versão censurada publicado em Bucareste, 1982. Uncensored version published in Germany 1984. Versão censurada publicado na Alemanha 1984. Published in English as Nadirs in 1999 by the University of Nebraska Press. [ 18 ] Publicado em Inglês como Nadirs em 1999 pela University of Nebraska Press. [18]


Drückender Tango ("Oppressive Tango"), stories, Bucharest, 1984 Drückender Tango ( "Oppressive Tango"), histórias, Bucareste, 1984

Der Mensch ist ein großer Fasan auf der Welt , Berlin, 1986. Der Mensch ist ein großer Fasan auf der Welt, Berlim, 1986. Published in English as The Passport , Serpent's Tail , 1989 ISBN 9781852421397 Publicado em Inglês como O Passaporte, Serpent's Tail, 1989 ISBN 9781852421397

Barfüßiger Februar ("Barefoot February"), Berlin, 1987 Barfüßiger Februar ( "Barefoot Fevereiro"), Berlim, 1987

The Absolute Wasteman novella, Berlin, 1987 A novela Wasteman Absoluto, Berlim, 1987

Reisende auf einem Bein , Berlin, 1989. Reisende auf einem Bein, Berlim, 1989. Published in English as Traveling on One Leg , Hydra Books / Northwestern University Press , 1992. [ 19 ] Publicado em Inglês como Viajando em uma perna, Livros Hydra / Northwestern University Press, 1992. [19]

Wie Wahrnehmung sich erfindet ("How Perception Invents Itself"), Paderborn, 1990 Wie sich erfindet Wahrnehmung ( "Como inventa a própria percepção"), Paderborn, 1990

Der Teufel sitzt im Spiegel ("The Devil is Sitting in the Mirror"), Berlin, 1991 Der Teufel sitzt im Spiegel ( "O Diabo está sentado no Espelho"), Berlim, 1991

Der Fuchs war damals schon der Jäger ("Even Back Then, the Fox Was the Hunter"), Reinbek bei Hamburg, 1992 Der Fuchs war damals schon der Jäger ( "Mesmo naquela época, o Fox foi o Caçador"), Reinbek bei Hamburg, 1992

Eine warme Kartoffel ist ein warmes Bett ("A Warm Potato Is a Warm Bed"), Hamburg, 1992 Eine warme Kartoffel warmes ist ein Bett ( "A batata quente é uma cama quente"), Hamburgo, 1992

Der Wächter nimmt seinen Kamm ("The Guard Takes His Comb"), Reinbek bei Hamburg, 1993 Der Wächter nimmt seinen Kamm ( "A Guarda Toma o pente"), Reinbek bei Hamburg, 1993

Angekommen wie nicht da ("Arrived As If Not There"), Lichtenfels, 1994 Angekommen wie nicht da ( "chegou como se Not There"), Lichtenfels, 1994

Herztier , Reinbek bei Hamburg, 1994. Herztier, Reinbek bei Hamburg, 1994. Published in an English translation by Michael Hofmann as The Land of Green Plums , Metropolitan Books / Henry Holt & Company , New York, 1996 [ 20 ] Publicado em uma tradução Inglês por Michael Hofmann como A Terra do Verde Ameixas, Metropolitan Books / Henry Holt & Company, Nova Iorque, 1996 [20]

Hunger und Seide ("Hunger and Silk"), essays, Reinbek bei Hamburg, 1995 Hunger und Seide ( "Fome e da Seda"), ensaios, Reinbek bei Hamburg, 1995

In der Falle ("In a Trap"), Göttingen 1996 In der Falle ( "em uma armadilha"), Göttingen 1996

Heute wär ich mir lieber nicht begegnet , Reinbek bei Hamburg, 1997. Heute wär ich mir nicht lieber begegnet, Reinbek bei Hamburg, 1997. Published in English as The Appointment , Metropolitan Books/ Picador , New York/London, 2001 Publicado em Inglês como a nomeação, Metropolitan Books / Picador, Nova York / Londres, 2001

Der fremde Blick oder das Leben ist ein Furz in der Laterne ("The Foreign View, or Life Is a Fart in a Lantern"), Göttingen, 1999 Der fremde Blick oder das Leben ist ein Furz in der Laterne ( "A Visão dos Negócios Estrangeiros, ou a vida é um peido em uma lanterna"), Göttingen, 1999

Im Haarknoten wohnt eine Dame ("A Lady Lives in the Hair Knot"), poetry, Reinbek bei Hamburg, 2000 Im Haarknoten wohnt eine Dame ( "A Vida Lady in the Knot Hair"), poesia, Reinbek bei Hamburg, 2000

Heimat ist das, was gesprochen wird ("Home Is What Is Spoken There"), Blieskastel, 2001 Ist Heimat, foi gesprochen wird ( "Home Is What Is Spoken There"), Blieskastel, 2001

A good person is worth as much as a piece of bread , foreword published in Kent Klich's Children of Ceausescu by Journal, 2001 and Umbrage Editions, 2001. Uma boa pessoa vale tanto quanto um pedaço de pão, prefácio publicado em Crianças Kent Klich de Ceausescu pelo Journal, 2001 e Edições Umbrage, 2001. Published in Swedish as En god människa är lika mycket värd som ett stycke bröd in Kent Klich's Ceausescu's barn by Journal, 2001 Publicado em sueco como En Deus människa är lika mycket ett stycke värd som bröd no celeiro Kent Klich de Ceausescu pelo Journal, 2001

Der König verneigt sich und tötet ("The King Bows and Kills"), essays, Munich (and elsewhere), 2003 Tötet Der König und sich verneigt ( "The King and Bows Mortos"), ensaios, Munique (e não só), 2003

Die blassen Herren mit den Mokkatassen ("The Pale Gentlemen with their Espresso Cups"), Munich (and elsewhere), 2005 Blassen Die Herren mit den Mokkatassen ( "The Gentlemen pálida com seus Chávenas"), Munique (e não só), 2005

Este sau nu este Ion ("Is He or Isn't He Ion"), collage-poetry written and published in Romanian, Iaşi , Polirom, 2005 Este sau nu este Ion ( "ele é ou Não é Ele Ion"), colagem, poesia escrita e publicada em romeno, Iaşi, Polirom, 2005


Atemschaukel , Munich, 2009. Atemschaukel, Munique, 2009. Published in English as Everything I Possess I Carry With Me , Granta/ Metropolitan Books, 2009. [ 21 ] Publicado em Inglês como tudo que possuo eu carrego comigo, Granta / Metropolitan Books, 2009.
 

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Maria de Lurdes Pintassilgo



Maria de Lurdes Ruivo da Silva Pintassilgo (Abrantes, 18 de Janeiro de 1930 - 10 de Julho de 2004)
Licenciou-se em Engenharia Químico-Industrial, iniciou a carreira pública como Procuradora na Câmara Cooperativa (1965-1974). Depois do 25 de Abril foi Ministra dos Assuntos Sociais do II e III Governos Provisórios e 1ª Ministra do V Governo Constitucional (Agosto a Dezembro de 1979), tendo sido a 1.ª mulher Primeira-ministra na Europa. Foi embaixadora da UNESCO (Julho de 1975 a Junho de 1981). Fundou o Movimento para o Aprofundamento da Democracia em 1986. Foi candidata às Presidenciais de 1986. Foi eleita Deputada pelo PS ao Parlamento Europeu em 1987.






Maria de Lurdes Pintassilgo (n.1930 m.2004)

Política portuguesa, licenciada em Engenharia Químico-Industrial. Foi Procuradora na Câmara Cooperativa (1965-1974). Depois do 25 de Abril ocupou vários cargos governamentais, sendo ministra dos Assuntos Sociais do II e III Governos Provisórios e 1ª Ministra do V Governo Constitucional. Foi depois embaixadora da UNESCO e consultora do Presidente Eanes, fundando o Movimento para o Aprofundamento da Democracia em 1986. Foi candidata às Presidenciais de 1986. Integrou variadíssimas organizações internacionais. Foi eleita Deputada pelo PS ao Parlamento Europeu em 1987. Tem publicadas algumas obras referentes ao papel da Igreja na sociedade e à ascensão das mulheres na vida política e pública.


Ainda e sempre activa nas questões sociais e políticas do país, são exemplo recente as suas posição face à guerra no Iraque e o seu envolvimento no movimento religiosos progressista Graal.


É quase impossível descrever as qualidades de Maria de Lurdes Pintassilgo. Ela manteve, até ao fim da sua vida, uma intervenção cívica sempre guiada por um princípio básico: uma luta intransigente e incessante pelos desfavorecidos.Licenciada em Engenharia Químico-Industrial, Maria de Lurdes Pintassilgo, iniciou a carreira pública como Procuradora na Câmara Cooperativa (1965-1974). Depois do 25 de Abril ocupou vários cargos governamentais, sendo ministro dos Assuntos Sociais do II e III Governos Provisórios e 1ª Ministra do V Governo Constitucional (Agosto a Dezembro de 1979), sendo a primeira e única mulher a exercer este cargo. Foi embaixadora da UNESCO (Julho de 1975 a Junho de 1981) e consultora do Presidente Ramalho Eanes, fundando o Movimento para o Aprofundamento da Democracia em 1986. Foi candidata às Presidênciais de 1986, tornando-se na primeira mulher em Portugal a protagonizar uma candidatura a Belém.Integrou várias organizações internacionais e foi eleita deputada pelo Partido Socialista ao Parlamento Europeu em 1987.Tem publicadas algumas obras referentes ao papel da Igreja na sociedade e à ascensão das mulheres na vida política e pública. Maria de Lurdes Pintassilgo foi uma mulher que se manteve sempre activa na vida política nacional. As suas últimas declarações públicas conhecidas foram proferidas uma semana antes de falecer, no final de audiência com Jorge Sampaio. Na altura disse que ”estamos perante a maior crise desde o dia 25 de Abril. São 30 anos e esses 30 anos colocam-nos neste momento perante uma crise em que somos todos poucos, para dar um pouquinho daquilo que podemos imaginar que será necessário”. No mesmo dia, revelou que gostava que o entusiasmo que reina no nosso futebol (Campeonato Europeu de 2004) fosse um entusiasmo que nos desse outro impulso para começar nova vida.
A segunda morte da Revolução dos Cravos
A revolução iniciada a 25 de Abril de 1974 acabou em 25 de Novembro de 1975. Mas essa foi só a sua primeira morte, aquela em que a democracia participativa desapareceu em favor da democracia formal. A segunda morte veio a 9 de Julho de 2004, em que o próprio voto, único sobrevivente - embora em adiantado grau de apodrecimento - do "governo do povo", morreu.
O dia 9 de Julho de 2004 deverá ficar na História da gente de bem em Portugal como o dia da segunda morte da Revolução dos Cravos.Poucos dias antes, em vésperas da final do campeonato europeu de futebol em que participava uma selecção a representar Portugal, morria Sophia de Mello Breyner Andresen, a mais importante poetisa do século XX português, a autora do mais importante poema sobre aquela Revolução. Embora muito próxima das posições políticas pretéritas do actual Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, e credora da admiração mais forte que, desde há muitos anos, portugueses deram a um escritor vivo, Sophia não mereceu a declaração de luto nacional do mesmo Presidente. O seu funeral decorreu, discreto, com uma pequena multidão de admiradores. Não sei se houve algum representante do mais alto magistrado da nação, nem se alguém do Palácio de Belém se lembrou de que Sophia, entre outras coisas, era uma representação de Portugal. Mas sobre o seu túmulo nascerão cravos.Adiante.Depois de 15 dias a fazer esperar os cidadãos, depois de Durão Barroso ter pedido unilateralmente a demissão de primeiro-ministro para se candidatar a Presidente da Comissão Europeia, Jorge Sampaio diz, num discurso em que o verbo "garantir" ocorre duas vezes, o substantivo "garante" uma e o substantivo "povo" nenhuma, que irá oferecer o cargo de primeiro-ministro a outro senhor, sem dissolver a Assembleia da República, nem convocar eleições. Logo após a declaração de Sampaio, morria, de ataque cardíaco, Maria de Lurdes Pintassilgo, ex-primeiro-ministo, ex-candidata a Presidente da República, a única pessoa de quem ouvi, ao vivo, a descrição perfeita e apaixonada do que verdadeiramente foi aquela Revolução. Até ao último momento, Maria de Lurdes aconselhava ao Presidente e a nós todos que outra solução para a deserção do primeiro-ministro existia, em que a capacidade de imaginar as formas de participação dos cidadãos era mais importante do que os «lobbies» de empresários, «jet set», faladores populistas e vigaristas em que o poder político português se afoga cada vez mais. Muitos ouvimo-la dizê-lo, com a ternura que era inconfundivelmente sua, na rádio e na TV. O seu coração falhou depois, depois, certamente, de ouvir Sampaio ignorar bem alto a maioria do seu mesmo Conselho de Estado convocado de propósito, a vontade da maioria dos portugueses, e retirar ao povo a capacidade de decidir sobre o seu futuro. Mas sobre o túmulo de Maria de Lurdes nascerão cravos. A revolução iniciada a 25 de Abril de 1974 acabou em 25 de Novembro de 1975. Mas essa foi só a sua primeira morte, aquela em que a democracia participativa desapareceu em favor da democracia formal. A segunda morte veio a 9 de Julho de 2004, em que o próprio voto, único sobrevivente - embora em adiantado grau de apodrecimento - do "governo do povo", morreu. Agora só restam os homens de palácio que trocam cargos entre si, a chamada "classe política", pois a política, isto é, a vida em sociedade, já não pode ser deixada aos mortais.A ironia de tudo isto é que foi um homem com fama de resistente à ditadura o autor e único responsável por esta afirmação de medo, medo de mexer com os interesses instalados pelos poderosos, medo de levar de volta, ainda que tão-só ao de leve, o poder ao povo que o elegeu, medo de agitar as águas, ainda que saiba que o primeiro-ministro a indigitar é um demagogo profissional, detestado dentro do seu próprio partido, medo de tudo em nome da "estabilidade", medo de tudo o que possa significar vida e liberdade.Paz à sua alma, pois quando for a vez do Presidente morrer, será como quis o poeta Carlos Drummond de Andrade: sobre o seu túmulo «nascerão flores amarelas e medrosas".

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Patti Smith


Patti Smith (nascida em 30 de dezembro de 1946) é poetisa, cantora e música norte-americana. Ela tornou-se proeminente durante o movimento punk com seu álbum de estréia, Horses em 1975. Conhecida como "poetisa do punk", ela trouxe um lado feminista e intelectual à música punk e tornou-se uma das mulheres mais influentes do rock and roll.


Patricia Lee Smith em Chicago, Illinois e cresceu em Nova Jersey. Seu pai era ateu e sua mãe era testemunha de Jeová. A família não era abastada e Smith largou os estudos aos dezesseis anos para trabalhar numa fábrica - uma experiência que ela considerou excruciante. Ela também teve um filho, do qual ela abriu mão para adoção. Em 1967, mudou para Nova Iorque e conheceu Robert Mapplethorpe quando trabalhava numa livraria. Os dois foram amantes durante um certo tempo, apesar de Mapplethorpe ser homossexual e eles mantiveram uma grandes amizade até a morte de Robert em 1989, vítima da AIDS. Em 1969 Smith foi a Paris com sua irmã e passou a fazer exibições de rua e performances artísticas. Quando ela voltou a Nova Iorque, morou no Hotel Chelsea com Mapplethorpe (Entre outros amantes famosos de Smith, podem ser mencionados o poeta Jim Carroll e Tom Verlaine, membro da banda Television). Durante o início da década de 1970, ela pintou, escreveu e fez recitais - frequentemente junto ao St. Mark's Poetry Project. Em 1971, ela atuou - uma única vez - na peça Cowboy Mouth, em colaboração com o roteirista e actor Sam Shepard.




Smith sustentava sua carreira nessa época, publicando artigos sobre rock, especialmente na revistaCreem. Ela também compôs canções junto com Allen Lanier do Blue Öyster Cult, que gravou muitas músicas com contribuição de Patti Smith, incluindo Career of Evil, Fire of Unknown Origin, The Revenge of Vera Gemini e Shooting Shark.
Em 1974, Patti Smith fazia shows, inicialmente com o guitarrista e arquivista de rock Lenny Kaye, e mais tarde com uma banda inteira que compreendia: Ivan Kral (guitarra), Jay Dee Daugherty (bateria) e Richard Sohl (piano). Financiada por Robert Mapplethorpe, a banda gravou o primeiro single, Piss Factory/Hey Joe, em 1974. O lado A descreve a fúria sem solução que Smith sentiu quando trabalhava na linha de produção de uma fábrica e a salvação que experimentou com um livro roubado, Iluminações do poeta francês do século XIX Arthur Rimbaud. O lado B é uma versão de Hey Joe com a adição de um trecho falado sobre a herdeira fugitiva Patty Hearst ("...Patty Hearst you're standing there in front of the Symbionese Liberation Army flag with your legs spread, I was wondering will you get it every night from a black revolutionary man and his women...").
The Patti Smith Group assinou contrato com Clive Davis da Arista Records, e em 1975 foi lançado o primeiro álbum de Smith, Horses, produzido em meio a certa tensão com John Cale, ex-Velvet Underground. O disco era uma fusâo de rock and roll e proto-punk rock com poesia recitada. É considerado por muitos como o melhor álbum de estréia já lançado por um artista. Ele começa com uma cover da música Gloria de Van Morrison e as palavras de abertura emitidas por Smith são umas das mais famosas na história do rock: "Jesus died for somebody's sins...but not mine" (Jesus morreu pelos pecados de alguém...mas não pelos meus). A foto austera da capa, tirada por Mapplethorpe, se tornou uma imagem clássica do rock.
Durante as turnês de Patti Smith pelos Estados Unidos e pela Europa, a popularidade do punk aumentou. O som mais cru do segundo álbum da banda, Radio Ethiopia, reflete isso. Consideravelmente menos acessível que Horses, Radio Ethiopia recebeu poucas críticas. Todavia, muitas de suas canções, notavelmente Pissing in a River, Pumping e Ain't It Strange, resistiram ao tempo e Smith ainda as interpreta em suas apresentações.
Em meio à turnê de Radio Ethiopia, Smith pisou em falso e caiu de um palco altíssimo em Tampa, Florida quebrando vértebras do pescoço. Depois do acidente, Patti teve que se submeter a um longo perído de repouso e de fisioterapia intensiva. Durante esse tempo, ela pôde reorganizar-se, recuperar energias e reavaliar sua vida, um luxo a que não se permitia desde que havia alcançado a fama.
The Patti Smith Group produziu mais dois álbuns antes do fim da década de 1970. Easter (1978) foi seu disco que obteve maior sucesso comercial, contendo o hit Because the Night - escrito em parceria com Bruce Springsteen - que chegou ao décimo-terceiro lugar na Billboard Hot 100. Wave, com Frederick e Dancing Barefoot não fez tanto sucesso, tendo sido pouco executado nas rádios.

Isolamento
Em seguida ao lançamento de Wave, Smith, então separada do parceiro de longa data, Jim Carroll, conheceu Fred "Sonic" Smith, ex-guitarrista da legendária banda de Detroit, MC5 que adorava poesia tanto quanto ela. A piada corrente na época era que ela só havia casado com Fred porque não precisaria mudar de sobrenome. Durante a maior parte da década de 1980, Smith esteve em praticamente isolada da música, vivendo em um subúrbio de Detroit com sua família. Em 1988, ela lançou o álbum Dream of Life que foi bem-recebido, apesar de ela não ter excursionado para divulgá-lo e de ter ser bem mais mainstream do que seus trabalhos anteriores influenciados pelo movimento punk.
Fred, seu marido, sofreu um ataque cardíaco e morreu em 1994, e após a morte inesperada de seu querido irmão Todd no mesmo ano, Patti foi encorajada por John Cale e Allen Ginsberg a procurar ajuda. Ela assim o fez e logo tornou-se uma ativa apoiadora do tratamento psiquiátrico para doenças mentais e para a manutenção da saúde mental. Smith também defendeu a formação de serviços de atendimento pelo telefone a possíveis suicidas que não queriam buscar ajuda de outra forma. Refletindo sobre a morte de Mapplethorpe, de Fred e de Todd, Patti saiu em turnê brevemente junto a Bob Dylan em dezembro de 1995. Quando seu filho, Jackson, fez doze anos, Smith decidiu retornar a Nova Iorque.

Ressurgimento Depois da morte de seu esposo e de seu irmão, seu amigo Michael Stipe do R.E.M. e Allen Ginsberg (que ela conhecia desde quando morou pela primeira vez em Nova Iorque) sugeriram que ela voltasse à atividade. Ela excursionou com Bob Dylan em dezembro de 1995 (registrado em um livro de fotografias de Michael Stipe). No ano seguinte, ela trabalhou com seus colegas na gravação de Gone Again que incluía About a Boy, um tributo a Kurt Cobain. Smith era uma grande fã de Cobain, mas ficou mais enfurecida do que triste a respeito de seu suicídio. Ela foi citada na revista Rolling Stone: "Enquanto vemos alguém com quem nos importamos enfrentar uma batalha tão dura para sobreviver, vemos outra que simplesmente joga sua vida fora, acho que eu tinha menos paciência com isso" (a comparação refere-se a Mapplethorpe). Naquele mesmo ano, ela colaborou com Stipe em E-Bow the Letter, uma música do R.E.M., contida no álbum New Adventures Hi-Fi, que ela também tocou ao vivo com sua banda. Nessa época ela voltou para Nova Iorque.
Depois do lançamento de Gone Away, o Patti Smith Group gravou três novos álbuns: Peace and Noise (com o single "1959", sobre a invasão chinesa no Tibete) em 1997, Gung Ho (com canções sobre seu falecido pai e Ho Chi Minh) em 2000 e Trampin' em 2004 (que incluía muitas músicas sobre maternidade, parcialmente devido à morte da mãe de Smith em 2002). Este último, o primeiro de Smith por uma nova gravadora, Sony, foi aclamado pela crítica e a pôs de volta à Billboard 200 pela primeira vez em muitos anos. Uma caixa-coletânea com seu trabalho foi lançada em 1996 e em 2002 houve o lançamento de Land, uma compilação em CD duplo que inclui uma memorável versão da música do Prince When Doves Cry.
Smith foi curadora do Meltdown Festival em Londres, Inglaterra durante junho de 2005. Esse foi um dos mais bem sucedidos festivais que Meltdown já produziu, com virtualmente todos os ingressos vendidos. Os participantes do evento, escolhidos a dedo por Smith, eram atores e músicos de vertentes extremamente diversas, de Tilda Swinton a Miranda Richardson, passando pela London Sinfonietta até o grupo Yah-Kha que tocou Purple Haze (como parte de um tributo a Jimi Hendrix). O penúltimo evento do festival foi uma performance de Patti Smith tocando por inteiro seu álbum de estréia, Horses. O guitarrista Tom Verlaine tomou o lugar de Oliver Ray. Essa performance ao vivo foi posteriormente lançada naquele mesmo ano sob o título Horses Horses.
Em agosto de 2005, Smith e sua banda abriram o festival alemão RuhrTriennale e fizeram dois shows no Century of Song. Entre versões diferentes de seu próprio material, ela tocou de forma muito personalizada canções de Phil Spector e clássicos de Bob Dylan e Jimi Hendrix. Na manhã seguinte, Patti deu uma palestra literária sobre os poemas de Arthur Rimbaud e William Blake. Nessa ocasião, ela também falou a respeito das diferenças entre letras de música e poemas.
Em 10 de julho de 2005, Smith foi nomeada uma líder da Ordre des Arts et des Lettres pelo Ministro da Cultura na França. Além de sua influência na esfera do rock and roll, o ministro mencionou o apreço de Smith por Arthur Rimbaud. [1] [2]
No decorrer de sua carreira, Smith publicou um certo número de livros de poesia, incluindo Babel; Patti Smith Complete, uma coletânea de suas composições musicais; Early Work, que unia inúmeros volumes de poema menores, publicados por ela no começo da década de 1970; e The Coral Sea, uma extensa elegia a Mapplethorpe. Em 2003, suas obras de arte foram exibidas em Pittsburgh no Andy Warhol Museum.
Apesar de Smith nunca ter tido um disco certificado pela RIAA, apesar de ter lançado um único single que chegou ao Top 20, e ainda não ter sido incluída no Rock and Roll Hall of Fame, ela é reconhecida como uma das mais importantes e influentes artistas da história do rock. A revista Rolling Stone recentemente colocou-a no 47º lugar em sua lista dos cem maiores artistas de todos os tempos.
Smith já foi indicada para participar do Rock and Roll Hall of Fame seis vezes (todos os anos desde 2001) mas nunca recebeu o número suficiente de votos para a sua inclusão. [3]

Engajamento políticoSmith foi uma ativa apoiadora da campanha presidencial em 2000 de Ralph Nader, excursionando com ele e tocando People Have the Power e Somewhere Over the Rainbow diante de multidões com milhares de pessoas em "show-mícios". Ela também tocou em muitos eventos posteriores de Nader.
Ela apoiou nominalmente John Kerry na eleição de 2004; mesmo não participando da turnê Vote for Change, People Have the Power foi tocada em todos os shows envolvendo Bruce Springsteen. Todavia, após a eleição, ela levantou verbas para ajudar na campanha de 2004 de Nader, afundado em dívidas de processos do Partido Democrata.
Ela também viajou com Ralph Nader no final de 2004 e início de 2005 para realizar comícios contra a Guerra no Iraque e a favor do impeachment do presidente George W. Bush. Suas menções a respeito de Nader em apresentações costumam ser seguidas por vaias de uma porção substancial dos espectadores (que o culpam pela derrota de Al Gore para Bush em 2000), às quais ela responde, "Eles também vaiaram Thomas Paine".

Discografia

Álbuns de estúdio
1975 - Horses (US #47)
1976 - Radio Ethiopia (US #122)
1978 - Easter (US #20)
1979 - Wave (US #18)
1988 - Dream Of Life (US #65)
1996 - Gone Again (US #55)
1997 - Peace and Noise (US #152)
2000 - Gung Ho (US #178)
2004 - trampin' (US #123)
2005 - Horses Horses
2007 - Twelve

Compilações
2002 - Land (1975-2002)




Bibliografia
Seventh Heaven (1972)
A Useless Death (1972)
kodak (1972)
Early morning dream (1972)
WITT (1973)
The Night(Aloes Books 1976)Patti Smith & Tom Verlaine
Ha! Ha! Houdini! (1977)
Babel (1978)
Woolgathering (1992)
Early Work, 1970 - 1979 (1995)
The Coral Sea (1996)
Patti Smith Complete : Lyrics, Reflections and Notes for the Future (1998).
Wild Leaves (1999)
Strange Messenger: The Work of Patti Smith (2003)
Foreword to An Accidental Biography: The Selected Letters of Gregory Corso April 2005
Auguries of Innocence: Poems, October 2005

Em Portugal





Patti Smith actuou no dia 29 de Novembro de 2001, dia da morte de George Harrison, no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa que, estava previsto, seria essencialmente dedicado à leitura de poemas. Ou seja, não era um concerto (no sentido clássico), e nem o foi exactamente.
Em palco, Patti Smith juntou aos poemas canções do ex-Beatle que naquela noite fez questão de homenagear. E, apenas com um guitarrista cantou alguns dos seus clássicos.
Patti Smith deu um concerto único dia 28 de Outubro de 2007 no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Ligações externas
Site oficial (em inglês)
Artigo em português no site Scream and Yell
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Patti_Smith"

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Media: Seis iraquianas, uma mexicana e uma etíope distinguidas com Prémio Coragem do Jornalismo

24 de Outubro de 2007, 01:09
Nova Iorque, EUA, 24 Out (Lusa) - Seis mulheres iraquianas que arriscaram a vida a trabalhar para uma organização norte-americana, uma jornalista mexicana que fez uma reportagem sobre pedofilia e uma jornalista etíope acusada de traição pelo Governo foram distinguidas hoje com o Prémio Coragem do Jornalismo.
O Prémio Coragem do Jornalismo foi atribuido pela Fundação Internacional de Mulheres Jornalistas, perante uma audiência de mais de 500 pessoas, tendo a jornalista de televisão norte-americana Judy Woodruff aberto a sessão com um pedido de silêncio em memória de todos os jornalistas que perderam a vida em reportagem.
A Fundação distinguiu seis jornalistas iraquianas (Sahar Issa, Huda Ahmed, Shatha al Awsy, Alaa Majeed, Zaineb Obeid, and Ban Adil Sarhanque) que trabalharam no escritório da McClatchy em Bagdad.
Também a jornalista mexicana Lydia Cacho, que viajou com quatro guarda-costas devido ás ameaças de morte, recebeu o Prémio Coragem pela sua reportagem que ajudou a meter na prisão um líder pedófilo.
Lydia Cacho sublinhou que o México é o segundo país mais perigoso para os jornalistas, atrás de Bagdad.
Por último, a Fundação atribui o Prémio Coragem à jornalista etíope Serkalem Fasil, uma dos 14 editores e repórteres de jornais independentes que foram detidos e acusados de traição por publicarem artigos críticos ao Governo da Etiópia pela sua conduta nas eleições parlamentares de Maio de 2005.
No dia da detenção, Fasil, que se encontrava grávida de dois meses, foi severamente espancada pela polícia.
Foi colocada em liberdade em Abril mas, em Julho, o Governo apresentou novas acusações sobre ela e o seu caso deverá chegar ao Supremo Tribunal no próximo mês.
TSM.
Lusa/fim

sábado, 20 de outubro de 2007

Afeganistão


sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Jodie Foster conquista aos 45 anos um improvável caso de sucesso




JOÃO LOPES
DIREITOS RESERVADOS (imagem)



Quando vemos Jodie Foster a dominar, exuberante, o novo filme de Neil Jordan (A Estranha em Mim), é quase inevitável pensarmos que a sua carreira constitui o consumar de um mais que improvável caso de sucesso. Afinal de contas, ela começou a sua actividade aos sete anos, em finais dos anos 60 (nasceu em Los Angeles, em 1962), em séries televisivas mais ou menos dispensáveis, derivando depois para algumas produções secundárias dos estúdios Disney. Dito de outro modo: parecia ter as virtudes e, sobretudo, os limites de uma "criança-prodígio" condenada a uma carreira banal e irremediavelmente efémera.Sabemos onde tudo mudou: em 1976, Martin Scorsese escolheu-a para interpretar a jovem prostituta de Taxi Driver, contracenando com Robert De Niro. De um momento para o outro, Jodie Foster deixou de ser uma curiosidade infantil para se transformar numa figura indissociável de um cinema fulgurante. A "menina" esclareceu, definitivamente, o que é (e como é) uma actriz genuinamente adulta em 1988, sob a direcção de Jonathan Kaplan, em Os Acusados. Em 1991, Jodie Foster entrava na galeria das lendas do cinema americano. Desde logo porque a personagem de Clarice Starling, em O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme, lhe valia um segundo e merecidíssimo Óscar; mas também porque O Silêncio dos Inocentes é um daqueles filmes raros em que a vocação eminentemente popular do cinema se cruza com a transcendência das grandes narrativas mitológicas sobre a utopia do Bem, aliás, o carácter inexorável do Mal.Por uma coincidência plena de simbolismo, foi também em 1991 que Jodie Foster se estreou a dirigir um filme de longa metragem: Little Man Tate (Mentes que Brilham) abordava a invulgar odisseia de uma criança sobredotada, certamente não por acaso com a própria realizadora a assumir o papel fulcral da mãe. Era, afinal, a demonstração clara do modo como ela reencarnava o modelo clássico do maverick americano, isto é, alguém capaz de simbolizar a energia e o poder da indústria sem alienar a dimensão pessoal do seu trabalho.Depois disso, Jodie Foster já trabalhou com cineastas como Woody Allen, Robert Zemeckis ou David Fincher. Já não se trata de um pequeno "fenómeno" de interpretação a abrilhantar os filmes dos outros, mas sim de uma relação entre iguais.
Jodie Foster, nome artístico de Alicia Christian Foster (Los Angeles, 19 de novembro de 1962) é uma atriz, diretora e produtora de cinema norte-americana, vencedora de dois oscars da Academia e um dos maiores talentos de sua geração no meio artístico dos Estados Unidos.
Formada em Literatura pela prestigiosa Universidade de Yale - que cursou normalmente nos anos 80, já sendo uma atriz famosa - e menina prodígio com QI acima da média, Jodie começou cedo na vida artística, estrelando comerciais de TV para a Coppertone aos três anos de idade e durante a infância fez diversos papéis em seriados de televisão e filmes infantis da Disney.
Em sua adolescência, dois fatos lhe marcaram fortemente a vida, impulsionando de maneira definitiva sua carreira de atriz e ao mesmo tempo lhe provocando um abalo emocional e um desconforto que a seguiriam por muitos anos.
Aos catorze anos, fazendo o papel da prostituta adolescente Íris Steensma no filme Taxi Driver, de Martin Scorsese, contracenando com Robert De Niro, Jodie alcançou fama mundial com o sucesso do filme e com sua indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. Poucos anos depois, a tentativa de assassinato do Presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, baleado por um psicopata chamado John Hinckley, lhe causaria um grave conflito emocional e psicológico, com a revelação feita por Hinckley de que seu ato visava chamar a atenção de Jodie , por quem era platonicamente apaixonado e a quem seguia de longe há meses no campus de Yale e que havia assistido Taxi Driver por mais de quarenta vezes apenas para vê-la na tela.

Ao contrário de atrizes mirins que tiveram grande popularidade e sucesso na infância, sem conseguir o mesmo após a transição para a vida adulta, como Shirley Temple e Tatum O´Neal, por conta de seu grande talento dramático Jodie estabeleceu-se no mundo do cinema de Hollywood alcançando seu primeiro grande momento como atriz adulta em 1988, ao ganhar o oscar de melhor atriz pelo filme Acusados, no qual fazia o dramático e sofrido papel de Sarah Tobias, uma garota liberal estuprada em um bar, que lutava pela condenação de seus estupradores nos tribunais.




O grande momento de sua carreira, entretanto, viria em 1991, ao conquistar o segundo Oscar como a agente do FBI Clarice Starling no sucesso O Silêncio dos Inocentes , com Anthony Hopkins, que também ganharia o Oscar de melhor ator, assim como também foram premiados o filme e o diretor Jonathan Demme.
A este trabalho, que a consagrou definitivamente como um das grandes estrelas do cinema americano e mundial, Jodie acrescentou sucessos de público e de crítica nos anos seguintes como Sommersby , Nell, Contato e Quarto do Pânico, em que além de trabalhar como atriz ainda atuou como produtora e diretora de alguns deles e de outros filmes menores. Seu trabalho em Contato, baseado num best seller do cientista e astrônomo Carl Sagan, lhe rendeu o nome, dado pela comunidade científica, num asteróide, o 17744 Jodiefoster.
Nos últimos anos, Jodie Foster tem cada vez mais intercalado o trabalho de atriz com o de produtora - que ela estreou em Nell, de 1994 - e lhe permitiu fundar sua própria companhia de produção cinematográfica em Los Angeles, a Egg Pictures.


Curiosidades

Os dois filhos pequenos de Jodie Foster, Charles (1998) e Kit (2001) foram concebidos artificialmente através de um mesmo doador anônimo de um banco de esperma, com três anos de diferença.
Conheceu sua companheira de longa data, Cydney Bernard, durante as filmagens de Sommersby, em 1993.
Ela mesma faz a dublagem de versões de seus filmes em francês, por falar francês perfeitamente, graças a seus estudos básicos terem sido feitos numa escola francesa de Los Angeles.
Recebeu o título de Doutora Honoris causa da Universidade da Pensilvânia por sua contribuição ao cinema como diretora e atriz.

Filmografia principal

2006 - O Plano Perfeito ; Inside Man
2005 - Plano de Vôo ; Flightplan ; Flightplan
2002 - Quarto do Pânico ; Panic Room
1999 - Ana e o Rei ; Anna e o Rei ; Anna and the King
1997 - Contact
1994 - Nell
1994 - Maverick
1993 - Sommersby
1991 - O Silêncio dos Inocentes
1988 - Acusados
1976 - Taxi Driver
1976 - Bugsy Malone
1974 - Alice Não Mora Mais Aqui

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Morreu a actriz Deborah Kerr





A actriz britânica Deborah Kerr faleceu hoje aos 86 anos. Kerr, uma balarina que se transformou numa estrela de Hollywood, foi nomeada seis vezes para o Óscar de melhor actriz mas nunca ganhou uma estatueta.
No início da sua carreira Kerr interpretou invariavelmente senhoras inglesas de grande distinção e pudor, mas o papel que a atirou para a fama foi o de mulher adúltera envolvida num romance escaldante com Burt Lancaster, em “Até à eternidade” (1953), de Fred Zinnemann. O beijo que os dois actores trocam, abraçados na praia, seminus (de facto, em fato de banho) deu escândalo e ainda hoje figura em todos os rankings de beijos cinematográficos. O filme foi aliás aclamado pelo Instituto Americano do Filme como uma das cem histórias mais românticas do cinema. Outros papéis famosos foram a sua representação da perceptora Anna Leonowens, em “The King and I” (1956), de Walter Lang, onde contracenou com Yul Brynner, e em "An Affair to Remember" (1957), de Leo McCarey, onde contracena com Cary Grant.Deborah Jane Kerr-Trimmer nasceu na Escócia em 1921 e abandonou o cinema em 1968.






Deborah Jane Kerr-Trimmer (Helensburgh, 30 de Setembro de 1921Suffolk, 16 de outubro de 2007) foi uma atriz britânica. Recebeu um Óscar honorário por sua carreira, que sempre representou perfeição, disciplina e elegância. Foi homenageada pela Rainha do Reino Unido com o título de Cavaleiro do Império Britânico.

[editar] Juventude
Nasceu com o nome de Deborah Jane Kerr-Trimmer na localidade de Helensburgh, no Firth of Clyde, Escócia. Originalmente treinada como dançarina de balê, teve sua primeira apresentação no palco em 1938, no Sadler's Wells. Depois de mudar de carreira, encontrou sucesso como atriz.

[editar] Filmes
Sua estréia no filme britânico Contraband em 1940 terminou no chão da sala de edição. Mas a isso seguiu-se uma série de outros filmes, incluindo um papel triplo no filme The Life and Death of Colonel Blimp, de Michael Powell e Emeric Pressburger. Mas foi seu papel como uma freira com problemas em Narciso Negro , dos mesmos diretores, em 1947, que chamou a atenção dos produtores de Hollywood.
Suas maneiras e sotaque britânicos conduziram a uma sucessão de papéis em que representava honoráveis, dignas, refinadas e reservadas senhoras inglesas. Contudo, Kerr freqüentemente aproveitava uma oportunidade para descartar seu exterior tão reservado. No filme de aventuras As Minas do Rei Salomão, de 1950, filmado em locações na África com Stewart Granger e Richard Carlson, ela impressionou as audiências com tanta sexualidade e vulnerabilidade emocional que trouxe novas dimensões para um filme de ação orientado para o público masculino.
Como Karen em A um Passo da Eternidade / Até à Eternidade , de 1953, ela recebeu a indicação para o Oscar de Melhor Atriz. O American Film Institute reconheceu o caráter icônico da cena do beijo entre ela e Burt Lancaster numa praia do Havaí, no meio das ondas. A organização colocou o filme na lista do "Cem mais românticos filmes" de todos os tempos.
Kerr recebeu o Globo de Ouro de melhor atriz de comédia/musical de 1957 com o filme O Rei e Eu, com Yul Brynner.
Morreu em 16 de outubro de 2007 em Suffolk, na Inglaterra, por problemas decorrentes do Mal de Parkinson.

[editar] Filmografia
Contraband (1940)
Major Barbara (1941)
Love on the Dole (1941)
Hatter's Castle (1941)
Courageous Mr. Penn (1941)
The Day Will Dawn (1942)
The Life and Death of Colonal Blimp (1943)
Perfect Strangers (1945)
The Adventuress (1946)
If Winter Comes (1947)
Black Narcissus (1947
The Hucksters (1947)
Edward, My Son (1949
Please Believe Me (1950)
King Solomons' Mines (1950):
Quo Vadis? (1951)
The Prisoner of Zenda (1952)
Young Bess (1953)
Thunder in the East (1953)
Julius Caesar (1953)
Dream Wife (1953)
From Here to Eternity (1953)
The End of the Affair (1955)
Tea and Sympathy (1956)
The Proud and the Profane (1956)
The King and I (1956)
Heaven Knows, Mr. Allison (1957)
An Affair to Remember (1957)
Bonjour Tristesse (1958)
Count Your Blessings (1959)
Beloved Infidel (1959)
The Journey (1959)
The Sundowners (1960)
The Grass Is Greener (1960)
The Innocents (1961)
The Naked Edge (1961)
The Night of the Iguana (1964)
The Chalk Garden (1964)
Marriage on the Rocks (1965)
The Eye of the Devil (1967)
Casino Royale (1967)
Prudence and the Pill (1968)
The Gypsy Moths (1969)
The Arrangement (1969)
Witness for the Procution (1982) (TV)
A Woman of Substance (1983) (TV)
Reunion of Fairborough (1985) (TV)
The Assam Garden (1985)
Hold the Dream (1986) (TV)


Deborah Kerr, a transgressora disciplinada
18.10.2007 - 19h48 Joana Amaral Cardoso

O beijo incendiário entre uma mulher adúltera e um sargento nas vésperas da II Guerra Mundial é a imagem que eternizou Deborah Kerr, que partilha com Burt Lancaster essa imagem na história do cinema. Deborah Kerr, a escocesa que foi bailarina antes de ser uma das maiores actrizes do cinema americano da década de 1950, morreu terça-feira, aos 86 anos, com Parkinson.
É preciso falar de Até à Eternidade para falar de Deborah Kerr. O filme realizado por Fred Zinnemann em 1953 criou uma imagem forte do encontro, numa praia havaiana, entre um homem e uma mulher que, com um beijo impudente, simbolizaram o romance, a transgressão e se tornaram ícones de um filme que retratou a corrupção moral do exército norte-americano prestes a entrar na guerra. Eram os anos 1950, a revolução sexual estava longe de começar e o filme, com os seus laivos de erotismo abafado, chegava quase cedo demais. Foi considerado escandaloso e Kerr, nomeada para o Óscar de Melhor Actriz pela interpretação de Karen Holmes, não foi distinguida pela Academia americana. Era a segunda vez que a actriz, nascida em Helensburgh, na Escócia, a 30 de Setembro de 1921, recebia uma nomeação para um Óscar. Seguir-se-iam outras quatro, sem que tenha ganho qualquer delas. Em 1994, Kerr recebia o Óscar pela carreira. Foi descrita pela Academia como uma actriz “de uma graça e beleza impecáveis cuja carreira foi marcada pela perfeição, disciplina e elegância”. A actriz tem uma fama dúplice. Ficou conhecida pelos papéis interpretados nos seus anos americanos, encarnando mulheres fortes cujas pulsões e desejo forçavam a cultura cinematográfica a redefinir as suas fronteiras no que tocava à forma como a sexualidade era representada. Mas também é lembrada como uma actriz sem assomos de vedetismo e com porte real. “Nunca tive qualquer discussão com um realizador, bom ou mau”, disse Kerr há uns anos. “Há uma forma de dar a volta a tudo, se se for suficientemente esperto”, disse, citada pela agência AP.1953, a mudançaA ausência de conflitualidade terá sido um dos segredos da longevidade da sua carreira. Deborah Kerr, filha de um arquitecto naval, começou a fazer ballet aos cinco anos em Bristol, quando a família se mudou para Inglaterra. A dança levou-a aos palcos, quando se estreou, com 17 anos, na peça Prometeu. Até ao início da II Guerra, fez pequenos papéis teatrais em Londres e leu histórias para crianças aos microfones da BBC Radio. Quando se estreou, finalmente, no cinema, no filme Contraband, em 1940, não teve sorte. As suas cenas ficaram-se pela sala de montagem.Entretanto, a guerra abatia-se sobre a Europa e Kerr continuou a trabalhar no cinema britânico até ao fim do conflito, quando, após uma série de críticas elogiosas, especialmente pelo papel de uma freira com dúvidas sobre a sua vocação em Quando os Sinos Dobram (1947), foi contratada para contracenar com Cary Grant em Traficantes de Ilusões, de Jack Conway. Foi o bilhete de entrada em Hollywood e a apresentação a um dos seus outros famosos pares no cinema. Grant e Kerr são o casal apaixonado que se encontra e desencontra no topo do Empire State Building, em Nova Iorque, n’O Grande Amor da Minha Vida, de Leo McCarey (1957), homenageado anos depois por Nora Ephron em Sintonia de Amor, com Meg Ryan e Tom Hanks. Seguiram-se outros papéis de mulheres serenas e bem comportadas, até à sua decisão de quebrar o padrão com Até à Eternidade, em que assumia o interesse por personagens femininas menos domadas. Seguiram-se O Rei e Eu (1956), de Walter Lang e com Yul Brynner, Heaven Knows, Mr. Allison (1957) de John Huston, Vidas Separadas (1958), com David Niven, e The Sundowners (1960), no qual é novamente dirigida por Fred Zinnemann. Todos estes filmes, juntamente com Edward, My Son (1949), de George Cukor, lhe mereceram nomeações para o Óscar de Melhor Actriz.Kerr participou ainda em Quo Vadis (1951), e Bom Dia Tristeza (1958), de Otto Preminger e no qual contracena novamente com David Niven, além de Jean Seberg e Geoffrey Horne. Fez A Noite da Iguana (1964), de John Huston, Casino Royale (1967) – no qual, aos 46 anos, foi Bond Girl – e foi com a adaptação de Elia Kazan do seu romance O Compromisso, em 1969, que decidiu tirar uma espécie de licença sabática do cinema. Sentia-se “ou demasiado jovem, ou demasiado velha” para os papéis que lhe apresentavam. Passou pela Broadway, fez televisão e foi distinguida pela Rainha de Inglaterra com a Ordem de Comandante do Império Britânico. Desde a década de 1960 que dividia o seu tempo entre Klosters, na Suíça, e Marbella, em Espanha, onde vivia com o seu segundo marido, o escritor Peter Viertel. Regressou recentemente ao Reino Unido, quando a sua saúde começou a decair, e morreu terça-feira. “A família estava com ela. Sofria de Parkinson há algum tempo e tinha acabado de fazer 86 anos, era uma senhora idosa”, explicou ontem Anne Hutton, a agente, quando deu a notícia. “Apagou-se lentamente.”