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sábado, 3 de março de 2007

Amazonas


Descrição: As Amazonas são mulheres guerreiras em um mundo dominado pelos homens. Sua civilização poderia ter sido criada por uma divindade que gosta de mulheres guerreiras; ou pode ser pode ser que elas fossem mulheres que se rebelaram contra a dominação masculina e decidiram governar a si próprias; ou poderia simplesmente ter sido sociedades matriarcais desde muito antes da história escrita.
Qualquer que seja sua origem, agora elas vivem em civilizações onde mulheres ocupam as posições e papéis tradicionalmente mantidos por homens - e, na campanha, isso significa especialmente o papel de homens de armas e aventureiros.
Uma cultura pode ser pequena (uma única cidade ou ilha) ou grande (um país ou um continente inteiro), muito avançada ou muito primitiva. Algumas culturas Amazonas mantêm homens como servos e escravos, uma rigorosa inversão da situação anterior; outras não possuem homens em suas comunidades, e têm longos feriados, para visitarem as tribos de homens vizinhas; outras, perpetuam sua classe sendo muito hospitaleiras com aventureiros que estejam passando por seu território. (Neste último exemplo, algumas culturas Amazonas, podem decidir posteriormente matar os aventureiros, outras não).
Para maiores detalhes sobre o funcionamento exato das comunidades Amazonas no mundo onde se desenrola a campanha, consulte seu mestre. (E dê-lhe bastante tempo para pensar no assunto, se isso for alguma coisa sobre a qual ele ainda não tenha pensado antes.)
Tradicionalmente, as Amazonas são famosas cavaleiras e criadoras de cavalos. Em seus próprios países, elas vestem armaduras leves e carregam escudos, lanças, espadas e arcos. Em outros países, se suas armas e armaduras culturais as colocarem em desvantagem, elas rapidamente se adaptarão às armas e armaduras locais.
Aqui esta um ponto importante a se lembrar: na maioria das campanhas você não tem que ser uma Amazona para ser uma guerreira mulher; verifique com seu mestre para saber outras maneiras de se jogar com guerreiras mulheres. Se uma jogadora quiser ter uma personagem guerreira, o mestre deveria tentar acomodá-lo sempre que possível, e não deveria transformar a personagem em uma Amazona para permitir que ela seja uma guerreira. Em quase toda história e mitologia do mundo real, você encontrará guerreiras mulheres em sociedades dominadas por homens; caso contrário não existiria Joana D'Arc ou Atalanta de Calidom.
Não existem exigências especiais quanto aos valores de habilidade para se ser uma Amazona.
Papel: Em sua própria sociedade, não importando o nível de civilização, a guerreira Amazona goza de um alto prestígio. Ela é a defensora do modo de vida da civilização inteira, e toda jovem Amazona pretende crescer e ser uma guerreira. Mas nas outras partes do mundo, e na campanha em geral, a Amazona é uma curiosidade, vista com freqüência como uma bárbara (não importando quão avançada sua civilização possa ser). As pessoas de outras culturas desconfiarão dela, e ela provavelmente começará a se sentir desconfortável na presença de homens que parecem ter o mesmo nível social que ela - aos olhos dela, eles é que são incomuns.
O mestre terá que conduzir essa situação com muito cuidado. Depois que a personagem Amazona tiver provado seu valor em combate a seus aliados de outras partes do mundo, e depois eles terem provados a ela, seu valor em combate não haverá razão nenhuma para que eles não possam ser aliados leais. Os PdMs podem continuar a perturbá-la, mas os personagens não deveriam; e os outros PJs deveriam se unir para defendê-la quando os PdMs lhe causassem problemas; somente o mais detestável dos PJs continuaria lhe causando problemas, e os outros PJs certamente não deveriam apoiar esta atitude.
Talentos Secundários Exigidos: Cavalariço.
Perícias com ArmasExigidas: Lança, Arco. (a Guereiras Amazonas podem especializar-se somente em Lança e Arcos Longo.)Recomendadas: Machados e espadas variados.
Perícias ComunsPerícias Bônus: Cavalgar Criaturas Terrestres, Treinar Animais.Recomendadas: Lidar com Animais, (homen de armas) Conhecimento dos Animais, Fazer Armaduras, Fabricação de Arcos e Flechas, Caçar, Correr, Sobrevivência, Rastrear.
Equipamento:Uma personagem Amazona, deve comprar suas armas e armaduras dentre as seguintes opções:Armas - Machados de Guerra, Arco (qualquer), Clava, Adaga/Punhal, Machadinha, Machado de Arremesso, Azagaia, Faca, Lanças, Espadas (qualquer);Armaduras - Escudo, Corselete de Couro, Corselete Acolchoado, Cota de Talas, Brigandina, Brunea, Gibão de Peles, Loriga Segmentada, Armadura de Bronze.
Depois que tiver se aventurando em qualquer outro lugar do mundo, ela poderá comprar armas e armaduras dessas regiões.
Benefícios Especiais: Os guerreiros homens, em sua civilização onde as guerreiras mulheres são raras, tendem a subestimar a Amazona. Portanto, em toda luta na qual a Amazona enfrente um homem que não esteja familiarizado com ela pessoalmente ou com guerreiras mulheres em geral, ela ganha um bônus igual a +3 na jogada de ataque e +3 no dano causado somente no primeiro golpe. Isto acontece porque a guarda de seu oponente está baixa.
Isso não funciona contra personagens-jogadores, a menos que o jogador esteja representando de forma suficientemente honesta para declarar que ele, também, a subestimaria.
Esta habilidade não funciona em alguns tipos de personagens:Um PdM que é cauteloso o suficiente para não subestimar a Amazona poderia, no caso de obter sucesso em um teste de Inteligência, perceber o ataque que está sendo preparado e negar o bônus a ela; um veterano experiênte (qualquer Guerreiro de nível maior ou igual a 5, ou qualquer outro personagem de nível maior ou igual a 8), apesar do preconceito, perceberá que ela está se movendo como uma Guerreira treinada e manterá a guarda erguida, negando-a o bônus a ela;
Se a Amazona atingir um PdM com esse ataque, ele nunca mais será vítima de um ataque desse tipo; se um PdM ao menos vir uma Amazona atingir alguém com um ataque desses, o PdM nunca cairá no mesmo truque. Mas se ela errar esse primeiro ataque, então o alvo a continuará subestimando e ela poderá usar os bônus novamente no próximo golpe.
Limitações Especiais: A Amazona está submetida a um ajuste de reação igual a -3 nos testes feitos contra PdMs originários de de sociedades dominadas por homens. Esse ajuste de reação é ignorado no caso de personagens que a respeitem, tais como (presumivelmente) seus aliados PJs.
Raças: As Amazonas do folclore e da mitologia eram humanas. Também não é difícil conceber clãs de Amazonas élficas ou meio-élficas; eles seguiriam as regras existentes para Amazonas humanas.
É um pouco mais difícil conceber Amazonas anãs, gnomos e halflings. Mas se você usa estás civilizações:
As Amazonas Anãs terão como perícias com armas exigidas, Machado e Martelo; elas ainda são peritas em Cavalgar Criatura Terrestre, mas têm suínos como montaria preferida (suínos são muito perigosos, e a perspectiva de uma Anã feroz no lombo de um Javali é aterrorizante).
As Amazonas Gnomo terão como perícias com armas exigidas, Machadinha ou Machado de Arremesso e Espada Curta; suas Perícias Comuns Bônus são Rastrear e Sobrevivência.
As Amazonas Halflings terão como perícias com armas exigidas, Azagaia e Funda; as Perícias Comuns Bônus são Vigor e Preparar Armadilhas; e você terá de presumir que estas halflings não gostam tanto do lazer e do conforto como os tipos mais comuns de halflings.

Amazonas


Amazonas – da Grécia para o Novo Mundo






Em 1492, Cristóvão Colombo, chegou, ao Novo Mundo, depois conhecido por América e não às Índias como era sua intenção e vamos ver como ele e os seus homens divulgaram o mito das Amazonas.
Colombo, no regresso da primeira viagem ao Novo Mundo, ao aportar a uma das ilhas das Caraíbas, sofreu, por parte de uma tribo guerreira, uma recepção francamente hostil. Sobre esse inesperado encontro escreveu a Luís de Santangel, homem de confiança dos Reis Católicos, nestes termos: «(...) é a primeira ilha que se encontra, para quem vai de Espanha rumo às Índias e onde não há nenhum homem. Estas mulheres não se ocupam de qualquer actividade feminina, só executam exercícios com o arco e flechas fabricados com canas e cobrem-se de lâminas de cobre que possuem em abundância».
Um dos pilotos que acompanhou o navegador Fernão de Magalhães contou ao italiano Filipo Pigafetta (1491-1534) que havia uma ilha só com mulheres. Pigafetta fala-nos da ilha Ocoloro, nas vizinhanças de Java (Ásia), onde as mulheres que «dando à luz algum filho, matam-no se fosse macho e, se mulher, conservam-na consigo. E tão esquivas se mostraram à conversação amorosa que, se algum homem ousasse desembarcar em sua ilha, pelejavam por tirar-lhe a vida».
O conquistador espanhol Hernán Cortés, quando explorava a costa ocidental do México, cerca de 1520, relatou ao imperador Carlos V que muita gente lhe afirmava que era verdade existir «uma ilha povoada de mulheres sem qualquer macho. Em certas épocas os homens de Terra Firme vão visitá-las, elas dão-se a eles e as que dão à luz filhas ficam com elas, se nascem machos rejeitam-nos».
Também, em 1535, Diego d’Almagro (1475-1538), que participou na conquista do Peru com Pizarro, disse ter ouvido, naquela zona, relatos de índios assegurando que havia uma vasta região dominada por mulheres cuja rainha se chamava Guanomilla (que significa céu de ouro) e que nessa tribos era tanto «metal branco e amarelo» que até os simples utensílios para preparar os alimentos eram manufacturados nesses metais preciosos.
UMA ETIMOLOGIA CONTROVERSA
Segundo os Gregos, as Amazonas para melhor manejarem o arco, as flechas e as lanças, comprimiriam, queimariam ou cortariam, na puberdade, o seio direito. Daí a origem do nome a (prefixo de negação) + mazós = peito (em grego), o que significa mulheres sem peito. Esta etimologia tem sido aceite sem contestação, não se percebe bem como. Como mulher o bom senso diz-me que nenhuma mulher queimaria ou reduziria, o seu órgão mais delicado e mais erótico fosse por que motivo fosse. Além do mais há bem pouco tempo Pierre Devambez publicou no Lexicon Iconographicum Mythologie Classicae, 819 espécimes de representações onde nunca as Amazonas aparecem só com um seio. O historiador Andre Tevet falou das Amazonas do Brasil, e também ele se recusou a aceitar que sacrificassem o seio direito, sem perigo de doença ou morte.
As mais antigas representações das Amazonas aparecem-nos em terracota e datam do séc. VII a.C. Depois são inúmeras nos vasos gregos(vasos áticos se figuras negras). Datam do provável encontro entre Aquiles e Pentesileia de 530-520 a.C. Há referências a mais de 60 nomes de Amazonas.
As Amazonas são na generalidade, representadas como mulheres bem constituídas, elegantes, usando a meia túnica, apertada na cintura, com um seio a descoberto e o outro sugerido, por baixo de vestes leves. Na mão têm o arco e às costas a aljava onde transportavam as setas. Também aparecem representadas com um machado de dois gumes em vez do arco.
Os escultores e pintores imortalizaram-nas e o mais célebre conjunto escultórico é o friso do mausoléu de Halicarnasso onde são perpetuadas lutando contra Hércules.
Rio das Amazonas
É possível que o maior rio da América do Sul tenha sido parcialmente navegado por portugueses, no início do séc. XVI, mas foi Vicente Pinzón (irmão de Martín Pinzón, que comandou a caravela Pinta na primeira viagem de Colombo), quem, em 1499 ou 1500, terá, pela primeira vez, chegado à foz do grande rio, a quem pôs o nome de «mar-dulce», pensando tratar-se de um mar.
Porém, hoje é aceite que foi o espanhol Francisco de Orellana quem o terá «descoberto», em Fevereiro de 1542. Este navegador fazia parte da expedição comandada por Gonzalo Pizarro, irmão do conquistador do Peru – Francisco Pizarro – que tinha saído de Quito, no Natal de 1541, com o objectivo de atravessar os Andes, em busca do El Dorado. Gonçalo Pizarro mandou Orellana à frente de um grupo de homens procurar provisões suficientes para poderem atravessar o inóspito território transandino. Porém, como Orellana não regressou nos doze dias combinados, Gonçalo Pizarro, julgando-o morto ou desaparecido, regressou a Quito. Frei Gaspar de Carvajal, que acompanhou Francisco de Orellana nessa fabulosa aventura, relata-nos o sucedido. A expedição, em Fevereiro de 1542, fez uma paragem junto ao Rio Napo (Equador) nas imediações do território dos índios irimaraezes que terão perguntado aos espanhóis se iam «visitar o território das Amurianos a quem eles chamavam ‘grandes senhoras’, pois, se o fizessem, se acautelassem porque elas eram muito numerosas e que os matariam». Carvajal descreveu os inúmeros encontros e acidentes. Em finais de Junho, por altura do São João, a expedição fez uma paragem para festejar o santo, mas de novo tiveram de enfrentar uma tribo hostil. Orellana tentou o entendimento, mas os aborígenes afirmaram «que nos apanhariam a todos para nos levarem às mulheres guerreiras». Os espanhóis responderam com o fogo das armas, a luta intensifica-se e o próprio Carvajal foi ferido. Surgem então as ditas mulheres com arcos e flechas em socorro da tribo. «Elas lutavam com tal ardor que os índios não ousavam recuar e se algum fugia à nossa frente eram elas quem os matavam à paulada (...). São muito alvas e altas, com cabelo muito comprido, entrelaçado e enrolado na cabeça. São muito membrudas e andam nuas a pêlo, tapadas em suas vergonhas; com os seus arcos e flechas na mão, fazem tanta guerra como dez índios (...). Em verdade houve uma dessas mulheres que meteu um palmo de flecha por um dos bergantins, e as outras, um pouco menos, de modo que os nossos bergantins pareciam porcos-espinhos.» São palavras de Carvajal. Mil quilómetros de rio vão descer Orellana e os seus companheiros e foi ele quem baptizará este imenso rio de Rio das Amazonas. (Orellana como todos os navegadores do seu tempo lera os clássicos e acreditava nos seus mitos. Afinal que nome melhor poderia ser dado aquele majestoso rio?)
Na América Portuguesa também se divulgou o mito. Em 1576, Pêro de Magalhães Gândavo chamava ao grande rio Maranhão «Rio das Amazonas» comprovando a divulgação do mito no nordeste brasileiro. E adianta este cronista: «Algumas índias há também entre eles que determinam ser castas as quais não conhecem homem algum de nenhuma qualidade, nem o consentirão, ainda que por isso as matem. Estas deixam todo o exército de mulheres e imitam os homens e seguem seus ofícios como se não fossem fêmeas, trazem os cabelos cortados da mesma maneira que os machos fazem, e vão à guerra com os seus arcos e flechas e à caça perseverando sempre na companhia de homens e cada uma tem mulher que a serve com quem diz que é casada, e assim se comunicam e conversam como marido e mulher.»
O jesuíta espanhol Cristóvão de Acuña, em 1639, escreveria que em Nova Granada (Colômbia) encontrou «uma índia que disse ter ela própria estado nas terras povoadas pelas mulheres guerreiras».
Até o nosso padre António Vieira repetiu o que se dizia das Amazonas no que se refere ao seu peito (apenas um) guerreiras de Lemnos, no seu Sermão nº 9.
Frei João dos Santos, dominicano dos séculos XV e XVI, conhecedor da Etiópia, diria que numa região de Moçambique, se dizia que: «Junto de Damute está uma província de mulheres tão varonis e robustas, que ordinariamente andam com as armas nas mãos, assim na caça das feras e animais silvestres, como nas guerras, que se lhe oferecem, onde mostram esforço e ânimo mais de homens belicosos, que de mulheres fracas...». Entre estas ilhas está uma povoada de mulheres sem haver homens entre elas; mas em dois meses do ano os admitem como fazem as de Etiópia (...)».
No séc. XVIII, Monsieur de la Condomine constata que «tal tradição é universalmente espalhada em todas as nações que habitam as margens do rio Amazonas, até 150 léguas distante, pelo interior até Caiena (...) e sempre em suas línguas lhes chamam pelo nome de «mulheres sem marido» ou «mulheres excelentes». Mais tarde, em África, Herkovitz estudou a repercussão do «mito» no antigo reino do Daomé (hoje Benin), onde afirma que as Amazonas existiram naquela região e adianta que eram recrutadas entre as mulheres atléticas, sendo obrigatoriamente virgens, e que eram em número considerável, usando lanças, como arma.
O tema Amazonas parece inesgotável.
Em 1997, a revista New Scientist publicou um artigo da investigadora Jeannine Davis-Kimball que refere a descoberta na Rússia, de várias sepulturas de mulheres. A identificação destas mulheres como sendo Amazonas foi feita a partir das armas com que estavam sepultadas e de ferimentos causados pelo uso de armas como pequenos punhais e espadas com que estavam enterradas.
Hoje o mito está desaparecer para dar origem a uma teoria da sua verdadeira existência. Na Lesbia Magazine de Janeiro de 1999 lemos que nas margens do Rio Dom se encontraram montículos funerários, com 2400 anos, onde estavam 21 túmulos de mulheres enterradas com as suas armas. E recentes descobertas na Hungria e China vieram enriquecer a teoria da existência real das Amazonas.
Amazonas da Grécia, das Américas, da Ásia, da África, da Europa: foram ou não uma realidade? O antropólogo brasileiro Darci Ribeiro (1922-1997) afirmou:
«Um povo-mulher contando só com elas, sem homens próprios, se servindo de estrangeiros como reprodutores é plausível e até praticável. Um povo só de machos é uma utopia selvagem».
E as «novas amazonas»? As mulheres que derrubaram preconceitos e cada dia auferem o seu salário e que não aceitaram o tradicional papel doméstico? Encontramo-las todos os dias, algumas mais belicosas que outras. E as mulheres nas Forças Armadas? Curioso que numa recente entrevista a mulheres da PSP em postos de comando, todas afirmavam que nunca tinham tido necessidade de disparar as suas armas. Serão as mulheres pacifistas, mesmo em carreiras onde podem ter de ser «guerreiras»? Talvez escritora e jornalista Inês Pedrosa nos saiba responder.