terça-feira, 6 de março de 2007

Anita Garibaldi




Ana Maria de Jesus Ribeiro, mais conhecida como Anita Garibaldi, (Morrinhos, Laguna, 1821Mandriole, Itália, 4 de agosto de 1849) foi a companheira do revolucionário Giuseppe Garibaldi, sendo conhecida como a "Heroína dos Dois Mundos". Ela é considerada, até hoje, uma das mulheres mais fortes e corajosas da época . Encontra-se na curia metropolitana de Lages o registro dos irmaos de mais velhor e os mais novo de Anita, foi retirado do livro a folha do registro de Anita Maria de Jesus Ribeiro.






A adolescência
De família modesta, descendente de portugueses imigrados dos Açores à província de Santa Catarina no século XVIII. O pai Benito era comerciante em Lages e casou-se com Maria Antônia de Jesus, com a qual teve seis filhos.
Após a morte do pai, Anita cedo teve que ajudar no sustento familiar, e por insistência materna, casou-se, em 30 de agosto de 1835, aos catorze anos, com Manuel Duarte de Aguiar, na Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos da Laguna. Depois de somente três anos de matrimônio, o marido alistou-se no exército imperial, abandonando a jovem esposa.

Revolução Farroupilha
Durante a Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, o guerrilheiro italiano Giuseppe Garibaldi, a serviço da República Rio-Grandense, participa da tomada do porto de Laguna, na então província de Santa Catarina, onde conheceu Anita. Ficaram juntos pelo resto da vida de Anita, que seguiu Garibaldi em seus combates em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai (Montevidéu) e Itália. O casal teve quatro filhos, o primeiro dos quais, chamado Menotti Garibaldi, nasceu no estado do Rio Grande do Sul, na então vila e atual cidade de Mostardas.

Batalha de Curitibanos
Na batalha de Curitibanos, no início de 1840, Anita foi feita prisioneira, mas o comandante do exército imperial, admirado de seu temperamento indômito, deixou-se convencer a deixá-la procurar o cadáver do marido, supostamente morto na batalha. Em um instante de distração dos guardas, tomou um cavalo e fugiu. Após atravessar a nado com o cavalo o rio Canoas, chegou ao Rio Grande do Sul, e encontrou-se com Garibaldi em Vacaria.
Em 16 de setembro de 1840 nasceu o primeiro filho do casal, que recebeu o nome de Menotti Garibaldi, em homenagem ao patriota italiano Ciro Menotti. Depois de poucos dias, o exército imperial cercou a casa e Anita fogiu a cavalo com o recém-nascido nos braços e alcançou o bosque onde ficou deitada por quatro dias, até que Gariabaldi a encontrou.

No Uruguai
Em 1841, quando a situação militar da República Riograndense tornou-se insustentável, Garibaldi solicitou e obteve do general Bento Gonçalves a permissão para deixar o exército republicano: Anita, Giuseppe e Menotti transferiram-se a Montevidéu, no Uruguai, onde permaneceram por sete anos. Em 1842 oficializaram sua união, casando-se na paróquia de San Bernardino.
No Uruguai nasceram os outros três filhos do casal: Rosa (1843), Teresa (1845) e Ricciotti (1847). Rosa faleceu aos dois anos de idade por asfixia, por causa de uma infecção na garganta.

Na Itália


Garibaldi e Anita, ferida, fogem de San Marino, 1849 (quadro de anônimo, século XIX)


Em 1847, Anita foi para a Itália com os filhos e encontrou, em Nice, na França, a mãe de Garibaldi, o qual se reuniu a eles alguns meses depois.
Em 9 de fevereiro de 1849, presenciou com o marido a proclamação da República Romana, mas a invasão franco-austríaca de Roma, depois da batalha no Janículo, os obrigou a abandonar a cidade. Com 3.900 soldados (800 deles a cavalo), Garibaldi deixou Roma. Em sua perseguição saíram três exércitos (franceses, espanhóis e napolitanos) com quarenta mil soldados. Ao norte lhes esperava o exército austríaco, com quinze mil soldados.
Anita, em estado avançado de gravidez, buscou de não ser um peso para o marido, mas suas condições pioraram quando atingiram a república de San Marino. Ela e Garibaldi decidiram não aceitar o salvo-conduto oferecido pelo embaixador americano e continuaram a fuga. Com febre e perseguida pelo inimigo, foi tranportada às pressas à fazenda Guiccioli, próximo a Ravenna, onde morreu em 4 de agosto de 1849.


Caçado pelos austríacos, sem nem sequer poder acompanhar o sepultamento da esposa, Garibaldi saiu outra vez para o exílio e, nos dez anos em que esteve fora da Itália, os restos mortais de Anita foram exumados por sete vezes. Por vontade do marido, seu corpo foi transferido a Nice. Em 1932 seu corpo foi finalmente sepultado no monumento construído em sua homenagem no Janículo, em Roma.

O legado de Anita
Considerada, no Brasil e na Itália, um exemplo de dedicação e coragem, Anita foi homenageada pelos brasileiros com a designação de dois municípios, ambos no estado de Santa Catarina: Anita Garibaldi e Anitápolis.

BibliografiaMarkun, Paulo. Anita Garibaldi: uma heroína brasileira. 4. ed. São Paulo, Senac, 2000.

Ver também
Giuseppe Garibaldi
Guerra dos Farrapos
República Rio-Grandense
República Juliana

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