terça-feira, 6 de março de 2007

Simone de Oliveira




Biografia


Simone Macedo de Oliveira, filha de pai belga e mãe portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 11 de Fevereiro de 1938.
Na sequência de uma crise, aos 19 anos, o médico aconselhou-a a distrair-se tendo optado, por ideia da sua irmã, por matricular-se no Centro de Preparação de Artistas da Emissora Nacional. Começou por se apresentar nos programas do prof. Motta Pereira.
A estreia da cantora em público ocorreu, em Janeiro de 1958, no I Festival da Canção Portuguesa, realizado no cinema Império, em Lisboa. Nos dois anos seguintes iria vencer esse mesmo Festival.
Em 1959, a editora Alvorada lança um EP com 4 artistas. Simone de Oliveira aparece com a canção "Sempre Que Lisboa Canta". É lançado também um EP com os temas "Amor à Portuguesa" (La Portuguesa), "Tu", "Nos Teus Olhos Vejo o Céu" (Nel Blu Dipinto di Blu) e "Tu e Só Tu" (Love Me For Ever).
Estreia-se no teatro de revista em 1962. Vence também, nesse ano, o Festival da Canção da Figueira da Foz.
Recebe o Prémio de Imprensa do ano de 1963.
Em 1964 grava um EP com os temas "Canção Cigana", "Sempre Tu Amor", "Quero e Não Quero" e "Alguém Que Teve Coração".
Na 1ª edição do Grande Prémio TV da Canção Portuguesa Festival RTP da Canção fica em 3º lugar com "Olhos Nos Olhos". "Amar É Ressurgir", o outro tema apresentado, fica em 8º lugar.
António Calvário e Simone gravam um EP com versões do filme "My Fair Lady".
Em Março de 1965 recebe o Prémio de Imprensa de 1964 para melhor cançonetista. Vence o Festival RTP da Canção de 1965 com o tema "Sol de Inverno", de Nóbrega e Sousa e Jerónimo Bragança, enquanto "Silhuetas Ao Luar" fica em 4º lugar. Representa Portugal no Festival da Eurovisão realizado em Nápoles. É eleita Rainha da Rádio.
É editado o EP "IV Festival da Canção Portuguesa" com os temas "Nem Tu Nem Vocês", "Se Tu Queres Saber Quem Sou", "Quando Será" e "Canção do Outono" e o EP "Praia de Outono" onde é acompanhada pelo Thilo's Combo e pela Orquestra de Jorge Costa Pinto). Lança também alguns discos com versões da banda sonora do filme "Música No Coração". Além do tema "Música No Coração" grava canções como "Onde Vais" [Edelweiss], "As Coisas De Que Eu Gosto" e "Dó-ré-mi".
Participa com "Começar de Novo", de David Mourão Ferreira e Nóbrega e Sousa]], no I Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro, realizado em 1966. Amália Rodrigues fez parte do júri e escolheu Simone de Oliveira como representante de Portugal.
Ainda em 1966, Simone grava uma versão de "A Banda" de Chico Buarque e faz parte do elenco do musical "Esta Lisboa Que Eu Amo" que esteve em cena no Teatro Monumental.
Lança um EP com "Marionette", uma versão de "Puppet On A String" de Sandie Shaw, e "Esta Lisboa Que Eu Amo". Lança também o disco "A Voz E Os Êxitos" que inclui uma versão de "Yesterday" dos Beatles, entre outros temas.
Amália Rodrigues inicia uma temporada no Olympia, em França, como primeira figura do espectáculo "Grand Gala du Music-Hall Portugais", inteiramente composto por um elenco português. Simone de Oliveira é um dos nomes convidados ao lado do Duo Ouro Negro, Carlos Paredes, entre outros.
Concorre ao Grande Prémio TV da Canção de 1968 com os temas "Canção Ao Meu Piano Velho" e "Dentro de Outro Mundo".
É editado um EP com os temas "Viva O Amor", "Nos Meus Braços Outra Vez", "Quando Me Enamoro" e "Para Cada Um Sua Canção" e outro com os temas "Cantiga de Amor", "Amanhã Serás O Sol" e "Não Te Peço Palavras".
Lança um disco com os temas "Aqueles Dias Felizes", "Pingos de Chuva" e "Fúria de Viver".
Vence o Festival RTP da Canção de 1969 com "Desfolhada Portuguesa", da autoria de José Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes. Perde a voz, um incidente que se prolongará por cerca de dois anos. Nesta fase aceita tudo o que lhe oferecem para sobreviver. Desde o jornalismo, à rádio, à locução de continuidade ou à apresentação do concurso das Misses de Portugal e de espectáculos no casino da Figueira da Foz.
Recupera do problema que lhe tinha afectado as cordas vocais: a voz era mais grave, mas podia continuar a cantar. Grava um EP com temas de José Cid. O tema principal é "Glória, Glória Aleluia" que Tonicha levou ao 1º Festival da OTI.
Participa no Festival RTP da Canção de 1973 com "Apenas O Meu Povo".
A sua carreira estava marcada por músicas e letras compostas por autores de qualidade, muitos deles anti-fascistas. Isso ajuda a que, após o 25 de Abril de 1974, continue a sua carreira e participe em revistas como "P'ra Trás Mija a Burra".
Em 1977 participa no espectáculo do Jubileu de Isabel II de Inglaterra.
Vence o 1º prémio de interpretação do Festival da Nova canção de Lisboa, de 1979, com "Sempre Que Tu Vens É Primavera".
Em 1980 representa Portugal no Festival da OTI, em Buenos Aires, com "Á Tua Espera". Durante os ensaios a orquestra levantou-se para a aplaudir. Arrecadaria o prémio de interpretação do Festival Ibero-Americano da Canção.
O álbum "Simone" é editado em 1981. Para este disco grava "Á Tua Espera" e "Quero-te Agradecer", da dupla Tozé Brito e Pedro Brito, e temas de António Sala ("Auto-retrato"), Paulo de Carvalho ("Canção") e Varela Silva ("Espectáculo"). Outros temas são as versões de "Pela Luz Dos Olhos Teus" de Vinicius de Morais e Tom Jobim e "Il S'en Va Mon Garçon" de Gilbert Bécaud. Anteriormente já gravara temas como "Reste" e "C'est Triste Venice".
No teatro faz de "Genoveva" na peça "Tragédia da Rua das Flores" baseada na obra homónima de Eça de Queirós. Participa também na série "Gente Fina É Outra Coisa" da RTP onde contracena com nomes como Nicolau Breyner e Amélia Rey Colaço.
Comemora as bodas de prata da sua carreira com o programa televisivo "Meu Nome é Simone".
O disco "Simone, Mulher, Guitarra", editado em 1984, é uma incursão da cantora no fado, com produção de Carlos do Carmo. Cinco dos temas pertencem a José Carlos Ary dos Santos e os restantes são de Luís de Camões ("Alma Minha Gentil Que Te partiste"), Fernando Pessoa ("Quadras"), Cecília Meireles ("Canção"), Florbela Espanca ("Amiga, Noiva, Irmã") e Miguel Torga ("Prece").
Em 1988 apresenta o programa de televisão "Piano Bar" da RTP.
Faz parte do elenco do musical "Passa por Mim no Rossio" (1991).
Em 1992 é editado o álbum "Algumas Canções do Meu Caminho". Apresenta este espectáculo ao vivo no Teatro Nacional S. João, TEC e no Funchal.
Filipe La Féria convida Simone para "Maldita Cocaína" de 1993.
Em 1997 celebra os seus 40 anos de carreira com um espectáculo na Aula Magna, de Lisboa. É lançado o duplo CD "Simone Me Confesso". O espectáculo "Simone Me Confesso" é apresentado na Expo-98.
O álbum "Mátria" de Paulo de Carvalho, editado em 1999, com letras de várias mulheres portuguesas, inclui um tema com letra de Simone.
Em 2000, Simone de Oliveira participa no tema "Sem Plano" dos Cool Hipnoise. O convite surgiu após se terem conhecido em Beja, numa comemoração do dia mundial do livro.
"Kantigamente" é o nome do espectáculo apresentado no São Luís, com produção de Fátima Bernardo (Casa das Artes). Os discos "Simone" e "Simone - Mulher, Guitarra" foram reeditados, em Abril de 2003, pela Universal. Em Julho de 2003 é editado o livro "Um País Chamado Simone" (Garrido Editores) do jornalista Nuno Trinta de Sá. Trata-se da segunda Biografia depois de "Eu Simone Me Confesso" de Rita Olivais.
Simone grava um CD e um DVD, ambos com o nome "Intimidades", que registam dois dias de espectáculos ao vivo, no Fórum Cultural do Seixal, acompanhada por José Marinho (piano) e Andrzej Michalczyk (violoncelo).
Simone de Oliveira tem dois filhos, Maria Eduarda e António Pedro. Recebeu vários Prémios de que destaca os Prémios de Imprensa, Popularidade, Interpretação e ainda o Prémio Pozal Domingues. Foi condecorada com a Grande Ordem do Infante.

Discografia

ÁLBUNS
Simone (LP, Polygram, 1981)
Simone - Mulher, Guitarra (LP, Polygram, 1984)
Algumas Canções do Meu Caminho (2CD, BMG, 1992)
Simone Me Confesso (2CD, 1997)
Intimidades (CD, Vidisco, 2004)











SINGLES E EP'S
Amor à Portuguesa/Tu/Nos Teus Olhos Vejo o Céu/Tu e Só Tu (EP, Alvorada, 1959)- mep60136
Lado a Lado / Canção Das Sombras Perdidas / Desesperadamente / Corpo E Alma (EP, Alvorada) aep60475
A Saudade Vem Depois / Não Há Razão / Terra Formosa / A Noite É Bela (EP, Alvorada, 19*) -mep60230
Fim de Estação (1961)
Novo Fado da Severa / Deixa Lá / Maria Solidão / Olhos Nos Olhos (EP, Decca, 1964)
(EP, Decca, 196*) A Rua Onde Mora Meu Bem / Eu Dançaria Assim / O Rei De Roma / Um Bocadinho Só Bem [António Calvário e Simone]
(EP, Decca, 196*) Canção Cigana / Sempre Tu Amor / Quero e Não Quero / Alguém Que Teve Coração - 1084
Sol de Inverno (EP, Decca, 1965) - Sol de Inverno / De Degrau em Degrau / Silhuetas ao Luar / A Rua do Desencontro - 1088
IV Festival da Canção Portuguesa (EP, Decca, 196*) - Nem Tu Nem Vocês / Se Tu Queres Saber Quem Sou / Quando Será / Canção do Outono - 1110
Praia de Outono (EP, Decca, 196*) - Canção Sem Importância / Reste / Meu Único Amor / Praia de Outono - 1121
Música No Coração (EP, Decca, 1965?) - Música No Coração / A Noite do Adeus / Tu És Aquele / Onde Vais - 1131
Estranhos Na Noite (EP, Decca, 1965?) - Estranhos Na Noite / As Coisas De Que Eu Gosto / Dó-ré-mi / Dias de Felicidade - 1169
Começar de Novo (EP, Decca, 1966) - Começar de Novo / Sem Amor / Já Ouviste O Mar? / O Céu é Bom P´ra Mim - 1184
A Banda (EP, Decca, 1966) - A Banda / Um Só Dia / Dia Das Rosas / Vem A Meus Braços - 1185
Marionette (EP, Decca, 1967) - Marionette / Esta Lisboa Que Eu Amo / És A Minha Canção / Balada Da Traição Do Mar - 1204
A Voz E Os Êxitos (EP, Decca, 1967) - Yesterday/
Tu Só Tu (EP, Decca) - Tu Só Tu / Gatinha Nem Sol Nem Lua / Anouschka - 1211 [Simone & Marco Paulo]
(EP, Decca, 1968) Canção Ao Meu Piano Velho / Vento / Não Vou Contigo / O Calendário / Dentro de Outro Mundo - 1229
(EP, Decca, 196*) Viva O Amor / Nos Meus Braços Outra Vez / Quando Me Enamoro / Para Cada Um Sua Canção - 1250
(EP, Decca, 196*) Cantiga de Amor / Amanhã Serás O Sol / Não Te Peço Palavras - 1251
(EP, Decca, 196*) Aqueles Dias Felizes / Pingos de Chuva / Fúria de Viver - 1270
Desfolhada Portuguesa (Decca, 1969) Desfolhada Portuguesa / Cinco Quadras Cinco Pedras / Avé Maria do Povo - 1276
Glória, Glória Aleluia (EP, Decca, 1972) Glória, Glória Aleluia/Hino do Amor/Retrospectiva
Apenas O Meu Povo / Introito (Single, Decca, 1973)
Mulher Presente (Single, Decca, 1975)
Sempre Que Tu Vens Primavera / Mesa Sem Ninguém Cama Com Tão Pouco (Single, Alvorada, 1979)
Sete Letras / Tango Ribeirinho (Single, Rádio Triunfo, 1980)
OUTROS
1º Concurso da Canção: Figueira - Simone - Alvorada
III Festival da Canção - Ontem e Hoje / Dilema / Bom Dia Lisboa / Porque Voltei -- Simone, madalena, Alice Amaro, José Manuel Mendes - Alvorada aep60429
(EP, Alvorada, 1959) - MEP 60135 - Sempre Que Lisboa Canta - Simone








Actriz

Teatro
A nível do teatro, Simone estreou-se nos anos 60 ainda como atracção de revista, posteriormente no inicio dos anos 70 iniciou na peça "O Contrato" (dirigida por Ribeirinho), o desenvolvimento das suas características de actriz, tendo na peça A tragédia da Rua das Flores, atingido um enorme sucesso de público e de crítica, revelando as suas potencialidades de actriz dramática. Participou no Teatro Nacional D. Maria II na peça "Passa por mim no Rossio" e no Teatro Politeama em Maldita Cocaína. Já nos primeiros anos do século XXI encarnou as personagens de Marlene Dietrich e Alma Malher.
Em homenagem às cantoras da década de 1960 (Madalena Iglésias e Simone de Oliveira), a sua personalidade foi retratada na peça musical What happened to Madalena Iglésias" de Filipe La Féria.

Cinema
Simone de Oliveira participou em pelo menos quatro filmes:
Canção da saudade (1964)
Operação diamante (1967)
Cântico final (1976)
A estrangeira (1983)

Televisão
Simone de Oliveira tem participação em várias telenovelas e em séries televisivas, nomeadamente nas seguintes:
Roseira brava
Vidas de sal
Filhos do Vento
Senhora das águas
Morangos com Açúcar
Tu e Eu
Na televisão apresentou nos anos oitenta o programa Piano Bar e fez vários programas da RTP Internacional. Foi ainda membro do júri da 1ª edição do concurso Chuva de Estrelas da SIC.

Comentários
O festival marcou-me de uma forma muito bonita, quando cantei "Sol de Inverno" e a "Desfolhada". A minha recepção em Santa Apolónia é inesquecível. Actualmente, as canções são todas iguais, a "Desfolhada" é única." (Simone de Oliveira)
A «Desfolhada» fora inicialmente escrita para a actriz Elisa Lisboa. Só que Elisa Lisboa não a pôde cantar no Festival de 1969 porque tinha marcada para o mesmo dia a estreia de uma peça de teatro em que era protagonista. Ary dos Santos, autor da letra, opta então por Madalena Iglésias, mas esta faz uma gravação prévia onde lhe corta o verso «Quem faz um filho, fá-lo por gosto». Irritado com a autocensura, Ary convida Simone a cantá-la. «E eu não cortei nada! Então quem faz um filho, não o faz por gosto?» (Simone de Oliveira)
"Cantar começou por ser uma terapia (mas tornou-se) uma paixão". "O melhor presente que a vida me podia dar, apesar do alto preço (...) Nunca sonhei ser artista, nem sonhei nada, na escola primária ouvíamos rádio quando chovia e outras vezes as colegas pediam para cantar, e eu cantava, mas nunca pensei em palcos. A minha carreira foi um presente que a vida me deu", (Simone de Oliveira)
«Comigo esta chegada de comboio não teve qualquer ambição de fama e glória. Nem sonhava que ia ser recebida assim. Afinal, vim de comboio apenas porque na nossa delegação um alto funcionário da RTP tinha... medo de andar de avião!» (Simone de Oliveira)
(Quais foram os seus intérpretes preferidos?) Desde o fado à marcha popular, até à canção romântica, forte e dramática, cantada pela Simone, compus de tudo. Simone foi a intérprete que mais cantou coisas minhas, porque eu e o Bragança sabíamos que tirava partido dessas canções. Devemos-lhe muito, mas ela também nos deve um bocadinho a nós. (Nobrega e Sousa, Janeiro de 2000)
... confesso que sou um aficcionado de cantoras como a Simone de Oliveira, daquele espírito de sessenta, o dramatismo, o cantor que chega ali e fala das suas profundezas, da falta de amor, de sexo, dessas coisas todas, e que não desvia essa energia para o cinismo. Não havia cinismo em relação a esses afectos pueris, da adolescência. Agora já não há quem os cante. (António Cunha/Um Zero Amarelo)
Ainda outro dia disse que se aparecer uma pessoa que cante melhor do que eu, fico danada. Não é bem danada, mas não gosto. E quem disser que gosta é mentirosa. (...) Nunca faria mal a ninguém que cantasse melhor do que eu. Agora gostar, não. Mas fui eu que recomendei a Teresa Salgueiro para o Japão, e a Dulce Pontes para o Japão e para a França. E também levei a Simone a Paris e ao Brasil. Não faço nada contra quem canta bem. Não vou recomendar a pior, porque primeiro está o meu país. Não sou desonesta, sou muito verdadeira. E por ser verdadeira é que digo isto: aprecio quem canta melhor do que eu, mas fico triste. (Amália Rodrigues)
















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